lucianorocha

lucianorocha's avatar
lucianorocha
npub1qdlt...hu87
Writer, investor and a huge Bitcoin fan. Author of book Do Zero ao Cem Mil com Bitcoin.
Neste sábado, o melhor ativo da história humana completa 17 anos. Foi em 3 de janeiro de 2009 que Satoshi Nakamoto lançou o primeiro bloco do Bitcoin. Curiosamente, ele não recebeu nenhuma recompensa pelo chamado “bloco-gênese”, visto que a transação que paga o minerador não foi processada nesse bloco. Isso só foi acontecer depois, quando aí sim Satoshi começou a acumular os seus quase 1 milhão de BTC — e que não foram tocados até hoje. Oito dias após o lançamento do Bitcoin, em 11 de janeiro, a rede recebeu seu segundo nó e minerador ativo: Hal Finney, que escreveu seu hoje famoso tuíte “Running Bitcoin!” Mas foi apenas entre julho e setembro de 2009 que o Bitcoin começou a ser negociado de modo a valer seus primeiros centavos de dólar. Desde então a criptomoeda saiu de algo com valor simbólico — a “moedinha de nerds” para um ativo que já vale mais de US$ 1,75 trilhão, ou mais do que o PIB de 175 países, incluindo Indonésia (US$ 1,58 trilhão), Arábia Saudita (US$ 1,26 trilhão) e já valeu mais do que o PIB brasileiro, que hoje é de US$ 2,3 trilhões. Além do Bitcoin, hoje é aniversário de três anos do lançamento do meu livro, Do Zero ao Cem Mil com Bitcoin, onde eu conto detalhes sobre a minha trajetória com a criptomoeda e de que formas ela mudou minha vida.
Pela primeira vez na história, o ciclo de quatro anos do Bitcoin quebrou. A criptomoeda fechou 2025 com queda de 6%, seu primeiro resultado negativo em um ano pós-halving em toda a história. Até o ano passado, o Bitcoin seguia um padrão mais ou menos previsível: no ciclo de quatro anos, dois eram de alta moderada, um era de correção (geralmente o segundo ano após o halving) e o quarto ano, o pós-halving, era de valorização explosiva. Em 2025 o Bitcoin renovou sua máxima histórica e chegou a ultrapassar US$ 125 mil, mas fechou o ano valendo menos de US$ 90 mil. O ano passado, aliás, foi repleto de marcas inéditas — e igualmente negativas. Mas também foi um ano no qual algumas coisas interessantes aconteceram: 1) fluxos dos ETFs seguiram em alta; 2) as Bitcoin Treasury Companies (BTCos) compraram um montante recorde de BTC; 3) um novo tipo de investidor entrou no mercado — com mais foco no longo prazo e menos propensão a vender em momentos de crise. No padrão antigo, o ano de 2026 deveria ser o ano de forte correção e tendência negativa, mas isso também deve mudar com a readequação do Bitcoin a essa nova estrutura, produtos e perfil de investidores. image
Cinco anos atrás, a Strategy deu início a era das Bitcoin Treasury Companies (BTCos) e reinou sozinha por quase quatro anos. Mas a partir de 2024 outras empresas passaram a incluir Bitcoin como parte de suas tesourarias. Apesar do pouco histórico, 2025 foi o ano das BTCos em termos de acumulação. No início do ano, as empresas começaram com aproximadamente 750 mil BTC em tesouraria. Hoje (30/12), esse número já é de quase 1,1 milhão de BTC — uma adição líquida de mais de 300.000 moedas. Isso representa o maior acúmulo corporativo em um único ano na história do Bitcoin. Entre as BTCos, a Strategy segue como a líder tanto na acumulação anual quanto em números absolutos. A empresa iniciou janeiro de 2025 detendo aproximadamente 440.000 BTC e encerra dezembro com 672.497 BTC — adicionando 232.497 BTC, o equivalente a cerca de US$ 21 bilhões a preços médios de aquisição em 2025. De todas as compras feitas por empresas de capital aberto este ano, a empresa de Michael Saylor possui 77% do total, ou mais que todas as demais BTCos que estão no Top 10 (dados do site bitcointreasuries.net). Mas com a queda do Bitcoin a partir da segunda metade de outubro, o mNAV da empresa caiu de mais de 2 para cerca de 0,86. Na bolsa, os papéis da Strategy (MSTR) atingiram o pico de US$ 543 por ação em novembro de 2024, e em janeiro de 2025 chegaram na faixa de US$ 300-400 com prêmios de mNAV (Valor Ativo Líquido de mercado) acima de 2,0x. Agora, a empresa termina o ano com os preços das ações em torno de US$ 160 e o mNAV comprimido para 0,86x — um desconto de 14%, apesar de deter mais Bitcoin do que nunca. Isso significa que o preço das ações da empresa está descontado perante o enorme caixa de Bitcoin que ela possui. Ter seu mNAV comprimido de 2,5x para 0,86x — enquanto as ações também despencaram mais de 50% apenas nos últimos seis meses — representa um declínio de 63% no prêmio que os investidores estão atribuindo ao modelo da empresa, o que, em última análise, sugere que os mercados continuam a reavaliar se o acúmulo alavancado justifica múltiplos de avaliação tão altos quanto os que ela demonstrou nos últimos anos. Das 10 maiores BTCos do mercado, quatro delas estão com seu mNAV abaixo de 1. Por fim, o destaque negativo entre as BTCos ficou com a Nakamoto Holdings (sem relação com Satoshi), cujo preço das ações desabou 99% no último trimestre de 2025. A empresa captou US$ 763 milhões, incluindo US$ 563 milhões por meio de financiamento PIPE e acumulou 5.398 BTC, mas sua estrutura envolveu a venda de ações com preços altamente descontados (podendo chegar a 40%) e períodos de lock-up. Uma vez que o lock-up acabou, os investidores realizaram vendas em massa dos papéis, fato que esmagou os acionistas minoritários e contribuiu para o fracasso da estratégia da empresa. image
Nunca achei que eu teria criatividade suficiente para escrever uma história. Muito menos para criar uma saga inteira. E eu estava errado. Ano passado publiquei Digital Gold, uma história que fala sobre uma distopia pós-apocalíptica onde um cara se vira usando Bitcoin. E nesse ano vai sair The Confisco, que conta o início desta história. E eu tenho certeza que quem viveu o Plano Collor vai se identificar com ela. Ambas as histórias estão no site da @Konsensus Network, que, na minha humilde opinião, é a melhor editora de livros de ficção com foco em Bitcoin no planeta. Elas fazem parte da coletânea 21Futures, que você pode adquirir aqui: Por fim, a saga vai virar uma trilogia, e eu espero que a terceira parte também chegue por aqui. E se você curte Bitcoin e tem uma boa história, não fique acanhado de escrevê-la. Precisamos de mais obras de ficção que falem sobre esta tecnologia extraordinária.