Os liberais precisam ser mais conservadores se quiserem lutar contra o progressismo
Estou cada vez mais convencido de que o problema central do
, hoje, é — mais do que qualquer outra coisa — um problema cultural. A falência de um Estado de Direito é a consequência da morte do modelo cultural que o fundamenta. Como disse Niall Furgson em Civilização: Ocidente x Oriente: “Hoje [...] a maior ameaça à civilização ocidental vem não de outras civilizações, e sim de nossa própria pusilanimidade — e da ignorância histórica que a alimenta”.
O que a nossa mente cientificista e ideologizada não entende mais é que a democracia, assim como a liberdade, precisa de um solo seguro para se fiar. Não é a mera formalidade de uma escrita constitucional, o juridiquês pomposo nem a pureza política dos pais fundadores dos
que fizeram daquele país uma democracia real, onde os direitos individuais são respeitados num nível profundo.
Foram, antes, as convicções culturais de seu povo que, sustentados num senso comum real e participativo, numa certeza amplamente difundida e aclimatizada na sociedade, defendiam, num nível elementar, aquelas certezas expressas no documento constitucional. Ora, não foi a
que fez aparecer a democracia republicana liberal dos EUA, mas sim as convicções liberais da cultura popular norte-americana. Se o povo norte-americano fosse centralizador e amplamente contrário às teses da Constituição liberal, então, em menos de 50 anos depois da carta fundadora, os EUA teriam se tornado mais uma republiqueta coletivista como tantas outras nas Américas. Não tenho dúvidas.
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Ou seja, belas palavras em um texto, sem que os indivíduos, os agentes políticos e jurídicos de fato acreditem nos valores que elas veiculam, é como pregar a beleza da castidade em um prostíbulo. É tão bonito quanto ineficiente. Se o homem comum não tiver a percepção de que a defesa da liberdade de expressão e da dignidade humana, por exemplo, não é mera preocupação gourmet de eruditos encastelados, mas que, antes, a falta dessa liberdade e dignidade é um problema fundamental que o machuca de forma literal. Isto é, se o João e a Maria não tiverem imbuídos dessa consciência ante suas tradições, então dificilmente teremos um país com uma democracia liberal real para além das palavras bonitas em cadernos oficiais.
A cultura importa
Há duas semanas, estive no
, em Porto Alegre, e, seja em conversas breves nos corredores, ou em debates longos em cafés da região com alguns palestrantes, notei que as soluções liberais para o país, em pelo menos uns 90% dos casos, passam por meras reformas políticas e jurídicas. Quase nenhuma delas tocam num espectro cultural mais profundo, de uma tomada de consciência social de nossas tradições liberais.
"A cultura é o meio pelo qual refletimos, reforçamos, criticamos e defendemos as bases de nossa civilização"
Pedro Henrique Alves
Acredito piamente que o trabalho principal dos defensores da liberdade está na exposição inteligente e no convencimento estratégico das populações, sobre os valores do Ocidente — isto é, daqueles princípios que gestaram a própria democracia moderna. A cultura é o meio pelo qual refletimos, reforçamos, criticamos e defendemos as bases de nossa civilização. Se não damos atenção a ela, então a deixamos vulnerável aos ataques de ideologias antiocidentais. A cultura é o principal meio pelo qual defendemos efetivamente a liberdade, pois a liberdade é próprio fruto da cultura ocidental.
Por isso, é preciso retomar uma postura ativa na defesa dessa cultura, reassumir uma ação coordenada entre liberais e conservadores na defesa ajustada e firme das heranças morais,
, históricas de nossa civilização. Como disse Jonah Goldberg em seu excelente livro O Suicídio do Ocidente, a única maneira de salvar o Ocidente é voltar a defendê-lo de forma frontal, corajosa e inteligente. Nunca isso foi tão evidente.
Liberais, sejam mais conservadores
Tal defesa cultural, obviamente, passa pela defesa da moralidade tradicional, como a da família tradicional, do conceito firme de verdade intelectiva, do direito parental à educação moral e religiosa da prole e do afastamento do Estado das escolhas individuais e familiares. O que muitos liberais não entenderam é que a liberdade econômica e política só existe porque a herança ética do Ocidente preparou o campo para ela brotar e defender o fruto enquanto se mata o solo é uma equação idiota e sem sentido algum. Hoje entendo a forte frase de Roger Scruton em Conservadorismo: Um Convite à Tradição: “O liberalismo só faz sentido no contexto social que o conservadorismo defende”.
Por isso, afirmo com tranquilidade que cada dia mais os liberais deveriam ser, em certa medida, mais conservadores — principalmente no Brasil. Pois, quando o assunto é debater e defender publicamente as tradições morais, políticas e filosóficas do Ocidente, os conservadores sempre estiveram na dianteira, e somente há poucas décadas alguns assumidamente liberais tomaram para si algumas trincheiras culturais nessa guerra.
Não falo, é claro, daquele conservadorismo tradicionalista, que quer verter a sociedade numa releitura medieval tosca que paira entre o monastério com redes sociais e um convento com fast food. Refiro-me antes àquele conservadorismo maduro que conseguiu equalizar a modernidade com os valores da tradição ocidental. Isto é: a defesa de uma ordem social baseada em princípios morais comuns, na relação social orgânica dos indivíduos na sociedade — aquilo que Burke chamava de “pequenos pelotões” —, e a liberdade econômica e autonomia do indivíduo ante o coletivo do Estado.
"A liberdade é o chão que pisamos e o ar que respiramos, e não uma abstração"
Pedro Henrique Alves
Os liberais, em grande parte, ainda têm uma visão excessivamente tecnocentrista de política. Acham que mudar as configurações da máquina ou rearranjar as peças no tabuleiro são os meios adequados de reação quando a própria máquina já está pré-estabelecida no modo “empoderamento de si próprio”, quando o jogo já está viciado em dar sempre a vitória para aqueles que governam sob a ideologia oficial.
A única forma de restituir liberdade ao indivíduo ante o Estado e devolver ao Ocidente a sua identidade — em especial no Brasil —, repito, é vaporizar inteligentemente a consciência da nossa herança político-moral nas pessoas, arranjar meios pedagógicos e midiáticos de transferir ao homem comum os valores éticos do Ocidente que lhes foram escondidos ou tomados. É preciso fazê-lo entender que de sua cachaça à prosa com a mulher no fim do dia, tudo tem a ver com a liberdade e com a autonomia que o Estado e os juízes do
estão tentando roubar dele.
A liberdade é o pão. A liberdade é o chão que pisamos e o ar que respiramos, e não uma abstração. É a única maneira de defender efetivamente essa liberdade é defender as raízes, os fundamentos. Nessa luta, conservadores e liberais são complementares. Se quisermos continuar com liberdade e ordem moral ocidental, é bom que ambos os lados deixem o nojinho ideológico de lado.
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Os liberais precisam ser mais conservadores
Os liberais precisam ser mais conservadores
Auditoria destaca uso de fundos provados para políticas públicas do governo Lula, fora da Lei Orçamentária Anual | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A auditoria também destaca o uso de fundos privados para políticas públicas, como o Programa Pé-de-Meia, financiado sem autorização na Lei Orçamentária Anual. Houve também um acordo para repassar R$ 29,75 bilhões do Fundo Rio Doce diretamente ao BNDES, sem trânsito pelo Orçamento Geral da União.
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José Roberto Mello Porto, ex-ministro Marco Aurélio e Italo Marsili | Foto: Reprodução/Redes sociais
“Precisamos de um pacote de desburocratização para que empresas norte-americanas, chinesas ou árabes queiram investir no Rio", destacou. "O que falta é um ambiente favorável para empreender.”
Do mundo digital ao impacto real
Questionado sobre o peso de sua popularidade nas redes sociais, o empresário minimizou. “O que as pessoas veem é que o Italo é um cara de alguns milhões de seguidores no YouTube, mas isso não é nada e não leva ninguém à política", disse o <a href="
Caminhões de ajuda humanitária a caminho da Faixa de Gaza | Foto: Reprodução/X/@DrTedros
Moumen Al-Natour, advogado palestino de Gaza, destacou a crise enfrentada pelo Hamas em obter dinheiro. Ele participa de um movimento de oposição crescente ao governo do grupo e ressalta que muitos funcionários públicos afiliados ao Hamas dependiam da venda de ajuda humanitária no mercado negro para receber seus salários.
Organizações humanitárias criticaram o bloqueio imposto por Israel, alertando que pode resultar em fome extrema para os 2 milhões de habitantes de Gaza.
Israel, por sua vez, afirma que o bloqueio enfraquece o controle do Hamas. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou que o país está desenvolvendo um novo plano para distribuir ajuda por meio de parceiros civis.
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Lula, depois de jantar no Palácio do Governo do Peru com a então primeira-dama Nadine Heredia e o então presidente peruano Ollanta Humala | Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O Ministério das Relações Exteriores do Peru informou que Nadine entrou na manhã desta segunda-feira, 14, na sede da Embaixada do Brasil em Lima para solicitar asilo diplomático. “A senhora Heredia solicitou asilo a esse país em conformidade com o que estabelece a Convenção sobre Asilo Diplomático de 1954, da qual Peru e Brasil são signatários”, informou.
Firmada em Caracas pelos Estados membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), a