O BRASIL MUDARÁ POR DEMOCRÁCIA OU POR CRISE?
O Brasil é um país complicado,
Democraticamente, o eleitor médio brasileiro não vota por transformação estrutural, mas por proteção imediata. Isso não é ignorância; é racionalidade sob insegurança. Em um país onde a propriedade é frágil, a moeda é instável e o mercado é hostil, o indivíduo prefere o Estado como amortecedor. Logo, qualquer projeto que proponha reduzir o Estado antes de garantir autonomia real soa como ameaça, não como solução.
Além disso, a classe política brasileira, independentemente do rótulo ideológico, vive da intermediação estatal. Cargos, orçamento, subsídios, regulações e exceções são a matéria-prima do poder. Uma ruptura estrutural reduziria exatamente isso. Esperar que o sistema vote contra si mesmo é contraditório.
Falando sobre isso, é exatamente dizer “Você quer mudar pelo bem, ou pela dor?”
As pessoas são fáceis de entender, elas querem, previsibilidade, mas não querem ter previsibilidade em anos, querem ter previsibilidade em meses, e tudo isso alimenta esse sistema que nós vivemos.
As pessoas que recebem auxílios do PT ou qualquer outro governo, estão mascarando a pobreza, mas no final das contas, isso não corta o causador do problema, só o sintoma. O principal sintoma é: impressão de moeda e controle estatal levantado sobre distribuição de renda coercitiva sem melhora de produtividade real.
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Países que realmente reduziram pobreza estrutural aceitaram um ponto que o Brasil nunca aceitou: o custo político de curto prazo é inevitável. Não existe transformação estrutural sem conflito com interesses estabelecidos. Onde a pobreza caiu de forma duradoura, houve ruptura clara com modelos baseados em tutela estatal.
Esses países fizeram, em essência, três coisas ao mesmo tempo. Fortaleceram propriedade privada real e previsível, reduziram o papel do Estado como intermediador da renda e abriram espaço para que o crescimento viesse da produtividade, não do gasto público. Isso cria autonomia econômica, mas destrói bases políticas antigas.
O Brasil não tem esse método porque o sistema político brasileiro é construído para impedir ruptura. Não é apenas um problema de partido, é um problema institucional. O Estado brasileiro é patrimonial desde a origem: ele distribui favores, concessões, cargos, crédito e proteção. Qualquer tentativa de reduzir esse poder encontra resistência imediata de quem vive dele.
Nos países que reduziram pobreza estrutural, o Estado aceitou perder protagonismo econômico. No Brasil, o Estado é o próprio centro do poder. Reduzir pobreza estrutural aqui significaria reduzir ministérios, subsídios, estatais, cargos, privilégios fiscais, protecionismo e controle regulatório. Isso atinge diretamente políticos, burocracias, empresas amigas e corporações organizadas. O custo político é concentrado e imediato, enquanto o benefício é difuso e tardio. Em democracia de curto prazo, isso é quase suicídio eleitoral.
Outro ponto decisivo é que países que conseguiram essa transformação tinham clareza institucional sobre propriedade e contrato. O indivíduo sabia que, se investisse, colheria o resultado. No Brasil, a insegurança jurídica faz com que o ganho produtivo seja constantemente ameaçado por mudança de regra, imposto novo ou intervenção discricionária. Isso desestimula o caminho da autonomia e empurra as pessoas de volta para a dependência estatal.
Além disso, nesses países houve uma narrativa política clara de transição. O discurso não foi “o Estado vai cuidar de você”, mas “o Estado vai sair do caminho para você crescer”. No Brasil, nenhum grupo político sustenta essa narrativa até o fim. Quando a pressão social aparece, todos recuam para gasto, subsídio e proteção. O sistema recompensa quem promete proteção, não quem promete liberdade com responsabilidade.
Há também um fator cultural-político importante. Onde a pobreza estrutural caiu, o fracasso individual deixou de ser tratado como problema político permanente. No Brasil, qualquer dificuldade vira justificativa para expansão do Estado. Isso transforma exceção em regra e impede a formação de uma sociedade autônoma.
Em termos rigorosos, o Brasil não adota o método porque o método destrói o modelo de poder vigente. Ele reduz dependência, enfraquece o Estado como distribuidor central e torna o eleitor menos controlável. Para a classe política como um todo, isso é desvantajoso, independentemente do rótulo ideológico.
A síntese é clara: países reduziram pobreza estrutural porque aceitaram perder poder político no curto prazo para ganhar riqueza social no longo prazo. O Brasil não faz isso porque seu sistema político sobrevive exatamente da manutenção da dependência e da mediação estatal. Enquanto o incentivo central for vencer a próxima eleição e não transformar a estrutura econômica, o método continuará sendo evitado.