Quando a Internet começou era tudo mato, vocês lembram? Eu não lembro, eu nem era nascido, mas sei que muitos de vocês estavam lá quando surgiram os primeiros sistemas operacionais para computador pessoal. O potencial era incipiente e ainda desconhecido, mas já parecia incrível: chats em grupo, alguns jogos online, a possibilidade de compartilhar e-mails e muito mais. Olhando para trás, aquilo que outrora era alvo da atenção de curiosos específicos, técnicos de informática, viciados em jogos, punheteiros de plantão e também vendedores de filme pirata, hoje possui uma presença quase ubíqua no cotidiano de boa parte dos bananeiros médios. Somos constantemente tentados a olhar o processo de adoção da Internet e querer sobrepor o mesmo destino para o Bitcoin, mas absolutamente nada garante que será esse o caso. Optamos por uma forma mais eficiente de comunicação em determinados aspectos, mas fomos burros ao centralizar essa comunicação nas mãos de poucas entidades (a famosa big tech). Isso também se aplica ao teclado QWERTY que sem sombra de dúvidas, é muito menos eficiente que o DVORAK. Por isso que adotar o #Bitcoin é uma opção, é uma ação que precisa partir do indivíduo. DREX e demais CBDCs caminham na nossa direção a passos largos. Ambos os destinos não são inevitáveis. São uma escolha. Comece por você e traga os seus. image Adquira tantos satoshis quanto conseguir o quanto antes e aprenda o máximo que puder sobre Bitcoin. Proteja os seus.
Agora vocês terão uma advogada bitcoinheira. image
A criação da escassez digital representa muito mais do que uma simples descoberta no âmbito informático. É uma manifestação notável da ordem espontânea, convergindo para o nascimento daquilo cuja concepção era sonhada desde muito antes dos cypherpunks. O Bitcoin é o resultado de uma longa busca por uma forma de dinheiro que fosse verdadeiramente inconfiscável, impossível de ser controlado por uma elite, divisível em unidades minúsculas, facílimo de transportar e, acima de tudo, seguro. Além disso, o Bitcoin é o fruto da busca por um sistema de armazenamento e utilização inteligente de energia, de modo que fosse universalmente compreensível, lucrativo para todos os envolvidos, lógico e escalável. Ele também é o resultado da busca por um conjunto de máquinas simultaneamente inteligentes e imparciais, capazes de canalizar os desejos humanos de competição e cooperação de maneira equilibrada para resolver conflitos de forma pacífica. Por último, o Bitcoin surge da necessidade de encontrar um meio de armazenamento de registros que seja confiável, imutável e aberto à verificação pública. No seu cerne, o Bitcoin é a materialização de ideais antigos, concretizando uma visão de um sistema financeiro mais justo, seguro e transparente para todos.
BITCOIN: UMA TECNOLOGIA DE SI image O Bitcoin é só um código. E encarando-o sob uma esfera estritamente lógico-matemática, ele é neutro e inerte. Todavia, no escopo da vida humana estamos constantemente lidando com todos os aspectos modais. Sendo assim, nada nos proíbe de analisar o Bitcoin em relação à forma como ele desafia as estruturas de vigilância e controle presentes na sociedade. O conceito de panopticismo refere-se a um sistema de poder que opera por meio da vigilância constante, onde os indivíduos são levados a internalizar normas e disciplinas para se adequarem às expectativas sociais. No caso do Bitcoin, a descentralização e a criptografia permitem certo nível de anonimato e privacidade nas comunicações, contrastando com as estruturas tradicionais de vigilância financeira, das instituições financeiras e governamentais que rastreiam e monitoram as atividades dos indivíduos. O panopticismo pressupõe a culpa de todos. A privacidade é culpabilizada. "Quem não deve, não teme, portanto entregue tudo o que tens". A constante sensação de ser observado, é desafiada paradoxalmente por uma rede que é pública, transparente e aberta, PORÉM, pseudônima e embaralhável: o Bitcoin. O Bitcoin cria uma dinâmica em que os indivíduos não são mais submetidos a um olhar onipresente e disciplinador, fornecendo um ambiente em que cada um pode exercer total controle e domínio sobre suas transações e informações. Essa liberdade proporcionada pelo Bitcoin perturba o funcionamento do panopticismo, pois os indivíduos não são mais compelidos a se conformar com as normas impostas pela vigilância do mundo fiat. O Bitcoin, no longo prazo, inutiliza a função de um estado soberano e monopolista em relação à esfera econômica, sobretudo no tocante ao controle monetário. O Bitcoin desafia a biopolítica fiduciária, já que a mesma possui uma estratégia de poder que visa regular, controlar e disciplinar a vida dos indivíduos e das populações em um nível macro e micro. Isso inclui o controle sobre os processos econômicos e a distribuição de riqueza. A biopolítica fiduciária é o poder que regula e governa corpos e populações, estabelecendo normas, disciplinas e estratégias de controle. Nesse sentido, o Bitcoin é uma forma de resistência e subversão às técnicas biopolíticas. - O Bitcoin subverte a biopolítica e inutiliza o monstro panóptico por ser uma tecnologia de si. "A tecnologia de si envolve a exploração das possibilidades de liberdade que são inerentes à existência de um indivíduo". - Michel Foucault¹ A tecnologia de si é conjunto de práticas e técnicas que permitem aos indivíduos moldarem e transformarem a si mesmos, a fim de alcançarem uma existência mais autêntica e livre. Essa tecnologia provocam um processo de autorreflexão e autotransformação que visa a libertação individual dos grilhões externos. O livro "21 Lições: O que aprendi ao cair na toca do coelho do Bitcoin"² entra em detalhes no conceito de tecnologia de si ao explicar que o Bitcoin não muda, mas é capaz de mudar a mente humana. Processos dopaminérgicos e serotoninérgicos, ciclos circadianos, alimentação, exercícios físicos e afins são todos influenciados e influenciadores da nossa preferência temporal. Sem baixa preferência temporal não há construção de longo prazo para uma vida, uma família e uma sociedade. Se "o custo de oportunidade de tudo é o Bitcoin"³ (Caio Leta, 2022), então não há motivos para o hedonismo, o desperdício e uma alta preferência temporal - que leva ao descuido de si, do mundo ao redor e do próximo. Deixamos de ter uma mentalidade parasítica e passageira e passamos a ter uma mentalidade construtora e duradoura. Como afirma Foucault, "A tecnologia de si é, assim, um processo que leva o indivíduo a se modificar, a se compreender, a conhecer-se melhor em relação a si mesmo e aos outros e a melhorar sua própria existência". Nesse sentido, o Bitcoin permite mais do que a possibilidade de auto-custódia de seus ativos de forma inconfiscável. O Bitcoin permite a cessação de um estado mental de limitação intelectual (um estado mental que exporta a fiduciarização para todos os âmbitos do ser). O "não confie, verifique" se expande para além do universo dos códigos e da criptografia, se aplicando em relação ao eu, ao ser e ao entender a si próprio e aos outros. Nesse sentido, nenhum âmbito do ser fica incólume quando confrontado por esse crivo. Portanto, o processo de compreender e entender o Bitcoin implica em uma disciplina específica, uma disciplina que pode ser vista como uma forma de controle sobre si mesmo, em que o indivíduo se submete a práticas específicas para garantir ativamente que está atento aos detalhes mais possivelmente microgerenciáveis de sua vida. "A tecnologia de si envolve a exploração das possibilidades de liberdade que são inerentes à existência de um indivíduo". - Michel Foucault A liberdade absoluta implica em responsabilidade absoluta, sendo assim, a intensificação do processo de responsabilização e verificação de tudo com o quê se interage, traz maturidade para o ser que tem sido constantemente infantilizado pela grande creche que é a sociedade fiduciária. Notas 1 - Insights retirados das obras "Microfísica do Poder" e "Vigiar e Punir" de Michel Foucault 2 - Livro escrito por Der Gigi, disponível em: https://drive.google.com/file/d/1WdzkQvfBp3G67-Ik99RVVPvtYKRLCgFS/view?usp=drive_link 3 - Retirado do livro "O Mundo Mágico em Bitcoin", que eu particularmente considero o melhor livro brasileiro no assunto para iniciantes