Analise de Felipe Moura Brasil
Em dia de humilhação para a família Bolsonaro, com a retirada da sanção a Moraes pelo governo Trump, relembro trechos da minha análise de 27/10: 👇
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Mesmo depois de ganhar do próprio Lula o apelido de“meu camisa 10”, Eduardo Bolsonaro continua colocando o petista na cara do gol.
As tentativas do deputado federal EAD de sabotar encontros diplomáticos entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos não só fracassaram, como também deram a Lula uma nova oportunidade de posar de adulto na sala, em defesa dos interesses nacionais, durante e depois de sua reunião com o presidente americano, Donald Trump, na Malásia.
(…) Historicamente, Lula e PT podem e merecem ser criticados por terem adotado a postura que tornou o Brasil um “anão diplomático” aliado e até financiador de ditaduras de esquerda, como as de Cuba e Venezuela.
Uma direita adulta, em vez de emular a conduta esquerdista com sinal trocado, colocaria os interesses nacionais acima de divergências e alinhamentos ideológicos, defendendo os acertos mais vantajosos ao Brasil, sem perder de vista as questões humanas em relações com outros países.
Eduardo, porém, entrega de bandeja a Lula a chance de fingir que atua dessa maneira virtuosa e de estabelecer ainda um contraste redentor entre ela e a alternativa aloprada do bolsonarismo, esse segmento radical do Centrão que insiste em manchar o campo político da direita.
(…) O camisa 10 do Lula ainda afirmou que “precisamos aprender [sic] diferenciar narrativa de realidade, jornalismo de assessoria”, como se não fosse ele, Eduardo, o maior assessor do lulismo no momento e como se não tivesse ele próprio recomendado em agosto, para “quem quiser se informar”, a missão de “assistir diariamente” a seus dois maiores porta-vozes na internet.
O velho truque dos propagandistas do bolsonarismo é colocar no mesmo balaio da ala lulista da imprensa os “isentões” que apontaram na raiz as ajudas bolsonaristas a Lula, incluindo as sabotagens da Lava Jato e da CPI da Lava Toga por pavor de prisão por rachadinhas.
Mas cada vez menos gente cai nesse truque, porque os fatos são ainda mais teimosos que a família Bolsonaro.
Até a oposição política ao PT já entendeu quais foram as “conquistas” de Eduardo nos EUA:
•Lula, que estava nas cordas, voltou a subir nas pesquisas, com discurso de defesa da soberania, contrapondo-se à celebração do tarifaço feita por Eduardo e à sua tentativa de utilizar essa e outras medidas impostas pelo governo americano para pressionar o Congresso e o STF do Brasil a aliviarem o pai;
•Jair Bolsonaro perdeu a liberdade mais cedo, ficando em prisão preventiva domiciliar em decisão tomada por Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito aberto para investigar Eduardo por coação no curso do processo;
•Com a apreensão do celular de Jair Bolsonaro neste inquérito, foi encontrada uma minuta de pedido de asilo político na Argentina, usada para reforçar, pelo risco de fuga, a justificativa da prisão preventiva domiciliar;
•Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão, sem qualquer recuo de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia em razão da aplicação de Lei Magnitsky contra o relator e das perdas de visto de 8 ministros do STF no total e familiares;
•Lula pretende indicar ao STF um ministro ainda mais camarada e jovem para a vaga de Luis Roberto Barroso, que, tendo maior ligação com os EUA, onde costuma dar palestras e onde trabalhava seu filho, aposentou-se para tentar reaver o visto de sua família;
•A oposição ao petista ficou ainda mais dividida e embaraçada diante dos ataques de Eduardo a todos os potenciais candidatos de 2026.
Claro que Lula tem o dom de se desgastar sozinho dizendo barbaridades como a de que “os traficantes são vítimas dos usuários também”. Mas, nessas horas, seus propagandistas também podem contar com Eduardo para devolver a bola tomada e ampliar novamente o placar.
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Como queríamos demonstrar.

